Fica a dica para o pessoal da psicologia que queira fazer suas pesquisas na praia. Os fenômenos noronhenses ainda são praticamente inexplicados. Apesar disso, o senso comum e a experiência pessoal me indica são fenômenos opostos.
A euforonha seria a sensação de que deus existe e que vem passar um tempo em Noronha quando está de bom humor. Outros efeitos comuns são o sentimento de adequação com a natureza e de que no fundo as coisas fazem sentido, apesar dos constantes esforços da humanidade em provar o contrário. O sentimento é mais comum nos primeiros dias, para aqueles recém chegados à ilha, mas mesmo os que aqui vivem há muitos estão sujeitos a ele.
Já a neuronha está associada à sensação claustrofóbica de estar numa ilha a mais de 300 km de qualquer existência verossímil pra quem passou a vida inteira em terra firme. Comparo a neuronha com o que senti no dia em que a chave do meu quarto quebrou na fechadura lá em Brasília, me deixando preso. Não foi exatamente a vontade de sair que me deixou agoniado, mas a certeza momentânea de que, caso quisesse sair, naquele instante seria impossível.
É mais ou menos o que algumas pessoas sentem aqui em alguns finais de tarde ou dias chuvosos. Não é AQUELA vontade TODA de voltar pro continente, é mais a opressão de fechar os olhos e apontar uma direção paralela ao solo tendo a certeza de que ali é o mar. É percorrer num só dia mais de 3 vezes a BR 363, do Sueste ao Porto, ou nem sair do quarto sabendo que a rodovia continua ali, suspensa e desconectada do resto do mundo.
Cauê Maia
A sequela que esses dois distúrbios causam, deve chamar-se saudonha!
Por: Guto Maia em Julho 28, 2008
às 8:08 pm
VOCÊ SÓ DEU NOME, ESTES SENTIMENTOS EXISTEM EM TODOS OS LUGARES E EM TODAS AS PESSOAS, OCASIONALMENTE, NÃO ACHAS?
Por: DIDI em Julho 31, 2008
às 8:39 pm