
Praia do Boldró
A praia que fica mais próxima de nosso alojamento é a praia do Boldró. Foi a primeira que visitei e, por conseqüência, foi nela que realizei o meu ritual, aquela conversa com o mar que citei no outro texto. O Boldró é uma das praias que mais se parece com as do continente. Talvez por ser mais acessível. Lá existe um barzinho e acontece até de alguns guarda-sol serem fincados em suas areias (contrariando as curiosidades postadas pelo Feijão).
É costume bobo dos seres humanos, mas levamos mais tempo para valorizar o que está próximo da gente. Sempre que íamos a outras praias chegávamos com uma enorme ansiedade de mergulhar. A briga pelo equipamento de mergulho (só temos dois) era (e continua sendo) inevitável. Já no Boldró, que é tão pertinho, íamos apenas para banhar ou ver o pôr-do-sol.
Só anteontem, eu e o Cauê tivemos a idéia de mergulhar lá. E mesmo assim, não foi nada programado, apenas aproveitamos que o snorkel estava à mão. E preciso admitir que foi o melhor mergulho que fiz em Noronha até agora. Foi nele que aconteceu uma das coisas mais lindas que já vi.
Estávamos nadando há um tempo. Já tínhamos visto algumas tartarugas, um trombeta (quando terminar de ler, procure a foto no Google, que vale a pena) e arraias. De repente, uma enorme nuvem de peixes bem pequenininhos começou a se aproximar da gente. Eram milhares deles. Um paredão em movimento sincronizado. E com cores que mudavam de acordo com os raios de luz que penetravam na água. Quando percebi, havíamos sido engolidos pelo cardume. Para todo lado que olhava, só via a massa de peixinhos, que agora não estavam mais tão organizados, pois tinham que se desviar dos obstáculos (eu e o Cauê).
Ficamos assim algum tempo, completamente hipnotizados pelo o que estava acontecendo. Parecia que estávamos no meio de um olho mágico (aquele livro em que é preciso ficar vesgo para ver imagens em 3D). Mas, em um átimo de segundo, aquele encantamento foi quebrado. Um enorme buraco se abriu entre os peixinhos e apareceu um peixão comendo eles. Depois disso, fiquei morrendo de medo. A qualquer momento poderia aparecer um tubarão para me devorar junto com o cardume. Comecei a fazer sinais para sairmos dali. O que ainda demorou um pouco, pois foi difícil acharmos a saída no meio das sardinhas.
O que me chamou mais atenção foi que no meio da agonia, fui até a superfície para tirar a água que tinha entrado na máscara. E estava tudo tão calmo. Nem parecia que lá embaixo existia toda aquela movimentação. O fundo do mar é um outro mundo. Uma realidade completamente estranha a nossa. São animais e plantas em cores e formatos, que eu só tinha imaginado nos desenhos que fazia enquanto era criança. Agora vejo o Boldró de uma maneira diferente.
UAU!! QUE EXPERIÊNCIA MARAVILHOSA, VALE A PENA PRESERVAR A VIDA MARINHA.
Por: DIDI em Julho 28, 2008
às 3:56 pm
Camimilita, é seu o texto? Delícia! Viajei com vcs. Vou dormir com esta imagem. beijinhos
Por: Carlota Novaes em Julho 30, 2008
às 1:46 am